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Como pode uma pedagogia viver fora da escola?

Estudos sobre pedagogias culturais

Este livro é resultado de encontros afetivos, acadêmicos, teóricos, conceituais, políticos, éticos e estéticos. As pessoas que organizam a obra são amigas e se encontraram em processos formativos de Pós-Graduação, entre 2012 e 2018, em Maringá – PR. Passado alguns anos, hoje, residimos em cidades, estados e regiões diferentes e atuamos, separadamente, em três instituições de Ensino Superior: A Universidade Federal de Sergipe - UFS, a Universidade Estadual de Maringá – UEM, e a Universidade Federal de Rondônia – UNIR. Apesar da distância física que nos separa, pelas especificidades e condições de 2020, neste ano, especialmente, temos atuado juntos no trabalho emergencial remoto, oportunidades de diálogo e trocas virtuais, desde o início do período de distanciamento físico, que ocorreu como medida de enfrentamento à pandemia do Covid-19.
 

Escrevo este prefácio em plena pandemia no dia 20 de novembro de 2020, Dia da Consciência Negra. Desde o dia 18 de março de 2020, dia do aniversário de 90 anos do meu pai, Kyoei Teruya, ouvimos diariamente nas mídias, nesses 8 meses, número de mortes e o número de infectados por covid 19. Palavras como: lockdown ou isolamento social ou confinamento, quarentena, distanciamento social,  álcool 70% e uso de máscaras fizeram parte do nosso cotidiano. Vários canais de YouTube ensinam como fazer moldes e como costurar as máscaras de proteção contra o covid. Dessa forma, eu aprendi a confeccionar mais de 100 máscaras. 
O YouTube é uma plataforma de visualização de vídeos acessível a qualquer pessoa que queira abrir um canal e enviar suas produções. Ao fazer isso, o YouTube se constituiu em um oceano de redes virtuais de compartilhamento de vídeos para todos os gostos e preferências, desde assuntos banais, fake news, cotidianos pessoais e até discursos acadêmicos e/ou científicos de todas as áreas de conhecimento. Essa plataforma digital, portanto, acumulou uma gigantesca quantidade de vídeos que permitem ensinar habilidades técnicas, conhecimentos de diferentes naturezas, valores, modos de ser, pensar e agir no mundo. Assim, esses canais produzem pedagogias culturais para atender a todos os tipos de público, em nível global.
Os artefatos midiáticos possuem um potencial pedagógico para produzir significados que são compartilhados e intercambiados através das diferentes linguagens na constituição subjetiva do sujeito. Esses saberes produzidos são reproduzidos nas telas da TV ou do smartfone. Nesse momento de isolamento social, por causa da pandemia, esses artefatos midiáticos, disponibilizados nas plataformas digitais, deslocaram as pedagogias para fora da escola, adentrando o espaço do lar e outros espaços. Nunca se consumiu tantas pedagogias culturais por meio dos dispositivos tecnológicos, móveis ou fixos, de comunicação, informação e entretenimento.
Dessa forma, respondo à pergunta do livro: Como pode uma pedagogia viver fora da escola? Nas pesquisas ancoradas nos Estudos Culturais, com foco nas pedagogias culturais, localizamos um universo de artefatos em diferentes espaços não escolares que articulam as pedagogias e as culturas. Estas pedagogias estão nas ruas, na arquitetura, nos cinemas, nos teatros, nos museus, nas bibliotecas, nos livros, nas instituições, nos shoppings, nas exposições de arte, nos games, espaços esportivos entre outros. Dizemos pedagogias, no plural, porque foram criadas várias pedagogias, por exemplo: pedagogias das ruas, pedagogia do consumo, pedagogia social,  pedagogia hospitalar e  pedagogia empresarial. Paulo Freire, por exemplo, criou as pedagogias que se estabelecem tanto no espaço da educação formal quanto no espaço da educação social, tais como: pedagogia do oprimido, da esperança, da autonomia, da pergunta e outras. 
Destaco que Fernanda Amorim Accorsi, João Paulo Baliscei e Samilo Takara, as três pessoas organizadoras deste livro, tiveram suas presenças marcantes junto ao Grupo de Estudos e Pesquisas em Psicopedagogia, Aprendizagem e Cultural – GEPAC na UEM, sob a liderança de Geiva Carolina Calsa e eu, dando vida acadêmica ao grupo. Ao terminar seus doutorados, prestaram concursos e se efetivaram como docentes, dando continuidade às pesquisas na linha dos Estudos Culturais e Estudos da Cultura Visual. Para mim, é muito gratificante manter essas parcerias nas produções acadêmicas e perceber que a vida segue e que o nosso trabalho continua. 
Manter esses vínculos acadêmicos com pessoas que conviveram cotidianamente por um período, compartilhando ideias, pensamentos, angústias, dúvidas e posicionamentos, sintonizados em um mesmo referencial teórico, fortalece as nossas pesquisas e, dessa forma, construímos uma comunidade acadêmica em nível nacional. Mesmo que agora os corpos se distanciaram fisicamente, estabelecemos os laços entre afinidades de pensamento que problematizam os regimes de verdades.
Assim, os autores e as autoras, que compõem os capítulos deste livro, focaram nas pedagogias culturais e fizeram análises das representações de feminilidades e masculinidades, identidades culturais, representações sobre corpo, sexualidade e cultura que ensinam sobre padrões de beleza, dimensões políticas. Para isso, analisaram games, anúncios publicitários, desenhos animados, livros didáticos, filmes, séries, novelas, jogos, grupos musicais, imagens de cartazes e outdoors.  
Estas pesquisas analisam a cultura hegemônica, que se estabelece como a melhor produzida pela humanidade, imposta pela colonialidade, e que estão presentes em nosso dia a dia.  Assim, propõem metodologias de análise cultural, análise da cultura visual e estudos de gênero, a fim de desconstruir subjetividades colonizadas, favorecendo novas investigações que rompem as fronteiras do canônico e abrem novas perspectivas teóricas e metodológicas.

Florianópolis, 20 de novembro de 2020. 

Teresa Kazuko Teruya

Fernanda Amorim Accorsi

João Paulo Baliscei

Samilo Takara

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