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Imagens, Discursos & Textualidades Culturais

Como legado atemporal dos modos de vida humana, a diferença é o termo básico segundo o qual nós nos reconhecemos como sujeitos.

Como legado atemporal dos modos de vida humana, a diferença é o termo básico segundo o qual nós nos reconhecemos como sujeitos. Mesmo o signo linguístico, tal como proposto por Ferdinand Saussure, se estabelece nesse escopo relacional segundo o qual um signo é exatamente aquilo que ele não é. Nesse sentido, a diferença parametriza a própria condição de existência dos sentidos, pois, de um ou outro modo, sabe-se que as palavras, ao menos segundo a visão ocidental, não coincide com as coisas/objetos que nomeia, muito menos com os sentidos que se lhes atribuiu a língua.


As artes não são a realidade, mas a espelha. As palavras não são as coisas, mas as definem. O visível e o enunciável não são o mundo, mas o torna inteligível. A diferença, como vemos, parece ser a mediadora das formas pelas quais damos sentidos a nossa existência, mesmo assim, nos chocamos, literalmente, com sua espessura nas relações sociais. É por isso que, nesta obra, elegemos como fator preponderante, a coragem de pesquisadores e pesquisadoras em se lançar teórico e analiticamente sobre a diferença identificada, sobretudo, nas relações entre sujeitos e culturas.


Sem especificar um conceito a partir do qual a noção de cultura seria apreendida, identificamos que, de modo geral, foi caro aos que assinam a autoria dos textos que apresentamos, o interesse por práticas que balizam as relações sociais dos sujeitos ligados à experiência de si, às artes de representação, à prática de escrita, aos modos de significação do mundo, o que nos permite afirmar, sem receios, que esta obra tem, como pano de fundo, a reflexão sobre como a cultura deriva do encontro mais ou menos ético dos indivíduos com as práticas nas quais se tornam sujeitos.


Movidos pelo desafio ético de tratar as ‘imagens” da diferença, sobretudo em práticas culturais, é que entregamos essa coletânea aos/às leitores/as. Nosso objetivo inicial fora o de mapear, em diferentes regiões do país, assim como em diferentes objetos e materiais de análise escrutinados à luz de diferentes perspectivas teóricas, leituras críticas acerca dos modos de produção e circulação dos discursos e das práticas pelos quais a diferença é produzida. Dessa empresa, obtivemos o conjunto de textos reunidos nessa coletânea.


O corpo trans/travesti na música e no documentário, as relações linguageiras nas redes sociais, os efeitos das relações de consumo (tanto de quem consome e daquelas/as cujas imagens se tornam consumíveis), as dissimetrias dos textos e práticas jurídicos, o outro na produção cinematográfica ou literária, as marcas identitárias na língua ou na pele, enfim, na profusão dessas práticas, interessa-nos aventar, em seu efeito de conjunto, quais imagens são produzidas e, sobretudo, como (re)encontrar a legibilidade dessas imagens da/na diferença produzidas ou emergentes das práticas culturais?  Ou como sempre nos questiona a estudiosa do tema, Ismara Tasso: é possível ler imagens?


Longe de respostas apaziguadoras para a questão, esperamos que a coletânea de textos promova o debate ético da diferença e leve a você, leitor/a, a possibilidade de exercitar esse modelo de reflexão tão caro nesses tempos de obscurantismo que alcança, até mesmo, a ciência contemporânea. Que seja possível tensionarmos os modos pelas quais a cultura se textualiza em imagens a partir das quais, não raro, flagramos os modos de constituição dos sujeitos.

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